Meu pai sofreu um acidente e quebrou a clavícula. Não é grande coisa, podia ser pior. Mas ele já não é tão novo e do jeito que ele cuida da própria saúde, um osso quebrado pode se tornar um problema maior do que parece.
Eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer, era uma questão de tempo... Ele estava indo comprar droga quando caiu. Idiota!
Apesar da insistência da minha avó e das minhas irmãs não tive coragem de ir vê-lo na sua casinha. Mas elas fizeram o favor de pintar um retrato bem vivido do estado em que ele se encontra. Ralado do rosto até o joelho, com um ombro inchado e do outro lado o osso da clavícula quebrado sobressaindo na pele... Eu bem que podia ir dormir sem essa cena na minha cabeça.
Elas não entendem o que significa para eu ver meu pai... Toda vez que o vejo esta de um jeito diferente: raramente lúcido, quase sempre depressivo, às vezes completamente alienado e de vez quando insuportável. Eu não gosto de vê-lo, essa é a verdade, é uma forma (não muito saudável, mas isso quem decide sou eu) que encontrei de me preservar.
Já disse várias vezes nesse blog que sou medrosa, e não estava mentindo em nenhuma delas. Não tenho coragem de encarar essa situação de frente, de expor toda a minha mágoa por ele ter comprado a primeira pedra de crack, por ter jogado toda uma vida e uma família fora por medo de encarar a realidade. Realmente sou filha dele, herdei todo o medo, toda a covardia.
Espero que ele melhore.
Renata (In)Grata
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