sábado, 18 de outubro de 2008

Vou falar:

Quer conhecer minha vida errada? Então vamos.

Sou a 1º neta da família, uma família deficiente de valores e cheia de aparências. Supostamente eu deveria ter entrado na faculdade há três anos, deveria escolher uma carreira rentável ou prestar concurso. Deveria ser o exemplo, ou seja, nunca ter me envolvido com álcool, drogas ou homossexualismo.

Mas eu não entrei na faculdade, não estudei como deveria e tive uma crise de pânico durante a prova. Fiquei dois anos sem estudar com a desculpa de que precisava de um emprego para pagar os estudos, já bebi só pra cair, fumei maconha na laje pra tentar entender "porque as coisas são assim", e sou bissexual ou lésbica, não tenho atitude o suficiente para decidir.

Minha mãe tem câncer, e só quem tem algum familiar nessas condições sabe como fica o psicológico da pessoa. Meu pai é dependente químico, passa dias enfornado em sua "toca", completamente fora da realidade e nem sempre esta sociável quando reaparece. Ver o seu próprio pai magro, com olhos inchados, a pele parecendo pele de frango avermelhada, as pontas dos dedos amareladas e rachadas é indizível. Raiva, dor, desespero, medo. Porra, ele é meu pai! Ele já me levou pra escola, me ensinou a andar de bicicleta e empinou pipa comigo!

Minha irmãs. Uma é neurótica, se acha a dona da razão e quando não esta feliz com a própria vida sai opinando na vida dos outros. A outra é a típica loira burra, não que seja realmente burra, mas se interessa por muito pouca coisa séria. A minha melhor e única amiga acha que é a única correta no mundo depois que aceitou a Deus, depois que lavou os pecados com o "sangue de Cristo". Não aceita nada que eu possa dizer e me caracteriza como uma "caçadora de encrenca". É... Não é mais a melhor amiga.

Eu.

Eu tenho medo, medo de tudo. Principalmente medo daquilo que me exija responsabilidade e comprometimento, ou seja, não paro em emprego algum, nunca tive um relacionamento sério, não consigo estudar e acredito em muito pouco. Sou fechada até para mim, quando é hora de falar eu viro as costas e tapo a boca, apavorada! E quando finalmente a verdade escapa, é tarde.

Quando tinha 13 anos eu sabia exatamente o que queria. Eu queria arte, queria história. Via-me claramente em um museu cercada dos dois. Ainda não descobri quando foi que me perdi, aonde foi isso... Estou presa no meu cantinho escuro e solitário que aprendi a gostar, e que às vezes chego a acreditar que não conseguirei viver sem.

Mas eu ainda me esforço por manter a sanidade, então não me cobrem muito, além disso.

(In)Grata

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